CRM 220.161 | RQE 110.342

Gastrite autoimune

Gastrite autoimune: o que é e por que precisa de acompanhamento?

A gastrite autoimune é uma doença crônica na qual o sistema imunológico ataca, por engano, as células do próprio estômago. Com o passar do tempo, essa agressão pode causar atrofia da mucosa, reduzir a produção de ácido e prejudicar a absorção de nutrientes importantes, principalmente ferro e vitamina B12.

Embora muitas pessoas não apresentem sintomas, a doença precisa ser reconhecida e acompanhada devido ao risco de anemia e de algumas neoplasias gástricas.

O que acontece no estômago?

A doença compromete principalmente as células parietais, localizadas no corpo e no fundo do estômago. Elas são responsáveis pela produção do ácido gástrico e do fator intrínseco, proteína necessária para a absorção da vitamina B12.

A perda progressiva dessas células reduz a acidez do estômago e pode provocar:

  • Deficiência de ferro;
  • Deficiência de vitamina B12;
  • Anemia;
  • Alterações neurológicas;
  • Elevação da gastrina.

A anemia perniciosa é uma manifestação mais avançada da gastrite autoimune, causada pela deficiência de vitamina B12. Antes disso, alguns pacientes podem apresentar deficiência de ferro recorrente ou com pouca resposta à reposição oral.

Quais são os sintomas?

Muitas pessoas permanecem sem sintomas digestivos. Quando presentes, podem ocorrer desconforto abdominal, sensação de estômago cheio, náuseas, distensão e má digestão.

As deficiências nutricionais podem causar cansaço, fraqueza, palidez, queda de cabelo, formigamentos, alterações da sensibilidade e dificuldade de memória.

A gastrite autoimune também pode estar associada a outras doenças autoimunes, especialmente tireoidite de Hashimoto, diabetes tipo 1 e vitiligo.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina exames de sangue, endoscopia digestiva alta e análise das biópsias do estômago.

A investigação pode incluir hemograma, ferro, ferritina, vitamina B12, gastrina e anticorpos contra as células parietais e o fator intrínseco. Esses anticorpos ajudam na avaliação, mas não devem ser interpretados isoladamente.

Durante a endoscopia, são coletadas biópsias de diferentes regiões do estômago. Esse mapeamento permite identificar atrofia, metaplasia intestinal e outras alterações características. A presença de Helicobacter pylori também deve ser investigada.

Existe risco de câncer?

A atrofia e a inflamação crônica podem aumentar o risco de adenocarcinoma gástrico. Além disso, a elevação persistente da gastrina pode favorecer o aparecimento de tumores neuroendócrinos gástricos do tipo 1.

Isso não significa que toda pessoa com gastrite autoimune desenvolverá um tumor. No entanto, alguns pacientes precisam realizar endoscopias periódicas. O intervalo deve ser individualizado conforme as alterações das biópsias, o histórico familiar e outros fatores de risco.

Como é o tratamento?

Não existe, atualmente, um tratamento capaz de reverter o processo autoimune. O cuidado é direcionado à prevenção e ao tratamento das suas consequências:

  • Reposição de ferro e vitamina B12;
  • Tratamento do H. pylori, quando presente;
  • Investigação de outras doenças autoimunes;
  • Acompanhamento clínico, laboratorial e endoscópico.

Medicamentos que reduzem a acidez do estômago também devem ter sua necessidade reavaliada, já que a própria doença pode diminuir significativamente a produção de ácido.

Quando procurar um gastroenterologista?

A gastrite autoimune deve ser considerada diante de anemia por deficiência de ferro sem causa definida, deficiência de vitamina B12, anemia perniciosa ou alterações atróficas nas biópsias do estômago.

O acompanhamento com um gastroenterologista permite corrigir as deficiências nutricionais, avaliar o risco individual e definir a necessidade de endoscopias periódicas. O diagnóstico precoce é importante para prevenir complicações e garantir um seguimento adequado.

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